sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sigamos, bucaneiros!

*

Por Germano Xavier


Veredito final para a manhã do dia 24 de novembro de 2016: 

Mestre em Letras pela Universidade de Pernambuco, minha querida UPE. Um salve ao meu orientador Dr. Elcy Luiz da Cruz, à coorientadora Dra. Amara Cristina de Barros e Silva Botelho e aos examinadores Dr. Kleyton Ricardo e Dra. Jaciara Gomes. Agradecer aos colegas de mestrado pela intensa partilha, ao coordenador do programa, professor Dr. Benedito Bezerra, a todos que fazem a UPE/Campus Garanhuns e a todos que, de uma forma ou de outra, contribuíram para este momento. Foram 2 anos de muitas batalhas enfrentadas e vencidas. Em mim, a certeza de que tudo vem no tempo certo, no tempo certo de cada um. Agora é olhar para frente e, com calma, trilhar caminhos para se chegar aos próximos passos dessa jornada acadêmica. Deus é grande. A literatura é a minha arma para melhorar o mundo. Sim, melhorar o mundo é possível. Sigamos, bucaneiros!



















* Imagens: Vida.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Poemas de Germano Xavier em Francês (Parte LXVIII)

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Por Germano Xavier

"tradução livre"


Sexta-feira, 10/06/2016
Não estamos


Nous ne sommes pas là

as-tu compris, mon amour ?
nous ne sommes pas sur les cartes,
nous sommes sur le limbe.

nous sommes les pages enlevées du roman
de cet excentrique et génial écrivain,
qui était déjà trop fatigué
pour nos accueillir dans le sujet de l’histoire.

as-tu compris qu’il n’y a plus de place pour nous?

nous avons parcouru les routes perdues des monstres gentils,
qui ont marqué le désert avec des découvertes hallucinantes.
//à la fin, j’avais mal et je suis devenu têtu. et nous sommes toujours en quête
d’autres issues, infiniment, qui commencent jusqu’au bout//

alors, voilà ce que nous devenons :
des incendies d’absences surgelées.
le froid qui arrive et nous compare à la distance.
la catastrophe devient une amie et l’arrière de nos paradis.
nous mourrons en célébrant le fait d’être capable.

de mourir ensemble.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Alone-319240032

Das travessias

*


Sigamos, bucaneiros!


* Imagem: Germano Xavier

domingo, 13 de novembro de 2016

O cone de Bergson

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Por Germano Xavier

para Jorge Luis Borges, com amor.



no espaço universal da memória, a certeza
de que todo o mundo é o cone, toda a humanidade
é o cone. no início de tudo, todo o amor
contido no cone. na boca feroz do abismo,
ou do vulcão, a memória do hoje. o ontem excelso,
perdido e esgarçado.

nunca encontraremos nossa própria voz?
quem é o que é se as primeiras coisas não são as primeiras coisas?
a palavra, Pierre Menard, a autoria do não-maciço: a bolha de sabão.

todas as ideias, todos os rumores, todas as plantas mentais,
todas as dúvidas, todas as dores, todas as espontaneidades,
todos os medos, todos os silêncios e os gritos e os mitos e os gemidos todos
num lugar sem autoria: o cone.

numa emboscada interna, nossas lendas vãs: as línguas,
as cores e de novo os abissos.

tomar o cone, fazê-lo rodopiar.
espalhar a memória do mundo
e escolher o rumo.

introduzir inaugurações. reger.
ser o profundo, não o raso do cone.
chacoalhar, chacoalhar, chacoalhar.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Cone-203836295

sábado, 12 de novembro de 2016

Sobre a Escola de Frankfurt

*

Por Germano Xavier e Luís Osete Ribeiro Carvalho

Texto escrito em novembro de 2005.



Certamente, falar em Escola de Frankfurt requer certa abstração e um olhar mais crítico sobre a importância dessa que foi, não só um agrupamento de pessoas pensando semelhante e com objetivos também muito parecidos, mas um movimento de contestação e de revolta. A Escola de Frankfurt desempenhou um papel fundamental tanto na discussão dos processos sociais quando na elaboração de novas ordens práticas e teóricas para as futuras gerações. É preciso enveredar-se pelos campos que enraizaram e frutificaram o nascimento da Escola de Frankfurt, assim como se apoiar em todo o seu legado. Ao mesmo tempo, deve-se aprofundar em seus maiores pensadores e suas respectivas ideologias, objetivando com isso uma análise mais sistemática acerca do assunto.

A Escola de Frankfurt recebeu esse nome porque seus principais representantes faziam parte do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt nos idos dos anos 30 do século XX. O objetivo desse instituto era confeccionar um exame crítico da sociedade, em uma abordagem geral, como também investigar seus aspectos econômicos, culturais e de produção de conhecimento, tendo como ponto de apoio um marxismo renovado, sem conjugar fortemente os ideais historicistas e materialistas.

O grupo de estudiosos da Escola de Frankfurt exerceu uma colossal influência sobre os movimentos de contestação da segunda metade do século XX, devido à análise crítica que fez das sociedades desenvolvidas. Tal instituição foi fundada numa época bastante tumultuada e permaneceu vinculada à Universidade de Frankfurt por um bom tempo. Sua maior influência pode ser notada durante as manifestações estudantis de maio de 1968 na França. Pode-se dizer que o organizador-mor desse grupo, que se formaria tendo como base o Instituto de Pesquisas Sociais (entidade dedicada à pesquisa interdisciplinar entre filósofos, sociólogos, estetas, economistas e psicólogos), foi o filósofo alemão Max Horkheimer.

O Instituto de Pesquisas Sociais, que tempos depois passaria a ser conhecido como Escola de Frankfurt, lançou os fundamentos da Teoria Crítica, ordem de expressão e de pensamentos que designa um conjunto de ideias acerca da cultura contemporânea, onde se tomavam como fortes bases os ideias do marxismo e da psicanálise, porém deixando aberturas para as influências que o pensamento (em constante movimento) exerce sobre as premissas teóricas.

O Instituto de Pesquisas Sociais (Escola de Frankfurt), constituiu-se como sendo o núcleo de uma linha original de pensamento filosófico-político desenvolvido por Walter Benjamim, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Wilhelm Reich, Jurgen Habermas e Theodor Adorno. A teoria crítica proposta por esses pensadores se opõe à teoria tradicional, que se pretende neutra quanto às relações sociais. Ela, por sua vez, toma a própria sociedade como objeto e rejeita a ideia de uma produção cultural independente da ordem social em vigor.

O pensamento desenvolvido pela Escola de Frankfurt pode ser divido em estágios ou fases. Em sua primeira fase, que contou com a presença marcante da figura de Max Horkheimer, houve a exposição de um pensamento multidisciplinar, que em filosofia era antimetafísico e antipositivista e, sob o aspecto social, anticapitalista. Partilhavam, aqui, da ideia que o progresso econômico tinha como contrapartida a massificação e a perda da individualidade. Propunham a transformação da sociedade capitalista num socialismo fundado na razão e na liberdade, e que assegurasse o bem-estar de todos.

A segunda fase da Escola de Frankfurt teve um caráter mais pessimista, e ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial. Quando falamos em pessimismo, devemos levar em conta que essa foi (senão) a única forma de agir, posto que houve a instalação de uma guerra e de um terror stalinista que deixou profundas marcas no pensamento marxista. Fora justamente nessa época, também, que o sistema capitalista de produção demonstrou uma gigantesca capacidade para assumir suas próprias contradições e para anular todo o pensamento crítico e todo o movimento de transformação do regime.

O principal expoente da terceira fase de construção de pensamentos foi o filósofo e crítico musical Theodor W. Adorno que, passando por diversas vertentes do marxismo, fogiu a toda e qualquer afirmação positiva. Para os pensadores dessa etapa, toda expectativa de solução ficava em aberto, inconclusa diante da realidade, e o progresso trazia em seu bojo uma regressão, pois conduzia o homem a um “mundo administrado”. A alternativa para a atual situação era a defesa do indivíduo e do particular, que escapam à violência da dominação, e a arte que, em seu não-hermetismo, permite escapar à uniformização e aos convencionalismos sociais.

Apesar de ser uma instituição de objetivos únicos, por vezes a Escola de Frankfurt se mostrou descentralizada. Nos outros estágios de desenvolvimento científico, buscou-se renovar o pensamento da “escola” à luz da epistemologia contemporânea e consideraram necessária uma revolução do marxismo. Jurgen Habermas e Hebert Marcuse foram os maiores representantes dessa fase que, entre outros ideais, denunciou o caráter repressivo da sociedade industrial e pregou transformações revolucionárias tanto nas instituições sociais como nas atitudes do homem. Foi aqui, também, que se acusou a sociedade capitalista de criar necessidades de consumo artificiais e incessantemente renovadas, mediante a manipulação das consciências pelos meios de comunicação de massa, fonte do conformismo.

Inúmeros pensadores influenciaram e foram influenciados pela Escola de Frankfurt, entre eles filósofos, psicólogos e artistas os mais diversos. Porém, vale ressaltar a maior importância de quatro pensadores, que são, a saber: Walter Benjamim, Theodor W. Adorno, Max Horkheimer e Jurgen Habermas. Sabe-se que muitos desses estudiosos deram a vida pelas causas propostas e debatidas pela Escola de Frankfurt, todavia é no intento de tentar esclarecer alguns pontos fundamentais das teorias elaboradas por estes pensadores que se dá ênfase aos nomes aqui citados.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Industrial-air-conditioner-160296567

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Poema-Trump

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Por Germano Xavier



ogivas em marcha, homens
à prancha: a flor com náusea
está para (re)nascer!


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Trump-Nightmare-601518563

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Os engenhos da máquina do mundo

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Por Germano Xavier


"Atravesso a noite
lírico:
sou poêmio."

(Trecho de POEMIA, de Wilson Pereira)



Marcelo Mourão, poeta carioca, publicou em 2016 o livro de poemas MÁQUINA MUNDI. O livro é dividido em cinco partes, intituladas na seguinte sequência: A máquina do mundo ou O mundo da máquina, As engrenagens de Eros, Os mecanismos poéticos, Os engenhos de dentro e A máquina de interrogações. Todos os capítulos, por assim dizer, juntos, elaboram uma visão sobre a atualidade, sobre a realidade das relações humanas que vigoram no hoje e terminam por esboçar uma visão de mundo autêntica acerca do que se passa com o agora da humanidade.

Mourão é feliz ao escolher as palavras com que narra suas angústias e medos, pois sentidos vivos por demais expressivos podem ser visualizados desde as primeiras páginas. Beijando a face de filósofos e escritores de rara estirpe, num jogo de alusões e de referencialidades bem direcionadas, o poeta, que também é um dos idealizadores do Sarau POLEM (Poesia no Leme), retrata a doença da modernidade com olhos sinceros e ao mesmo tempo simples. O resultado é um corpo poético onde cabem várias forças orgânicas de imaginação e de existência.

MÁQUINA MUNDI é um pequeno tratado poético que intenta, ao fundo, a promoção de um senso de resistência. Resistir, convenhamos, é tão essencial hoje em dia quanto respirar. Num mundo onde a informação desinforma, onde amor desanda e agride, onde o homem decide desumanizar-se para chegar ao topo (dos nadas), onde o maior peso é o de não-ter, a poesia de Mourão escancara a certeza de que a dúvida está muito presente no ser (humano) do homem contemporâneo. O mundo, sabemos, espera já cansado um ressurgimento, um rebrotamento. A arte, esmagada pelas catástrofes diárias, inclina-se, doente, para o horizonte dos quandos.

Assaz assim, há quem comporte a absoluta resolução dentro de si acerca da função inutilitária conferida à poesia, não raras as vezes colocando-a num rol onde se despejam sandices e alumbramentos vãos. Todavia, é sendo esse acessório aparentemente “inútil” que a boa poesia revela-se tal qual um grande artefato de luta e de rebeldia. A poesia contida nos engenhos de dentro de MÁQUINA MUNDI não instaura um manual para bons comportamentos nem está a serviço da ordem da informação seca, antes se pronuncia enquanto conjunto de mensagens sobre o desconforto da vida moderna.

Inusitado, MÁQUINA MUNDI explica o inexplicável, o mundo que perdeu o rumo, o homem que naufragou nas águas do tempo, o tempo que está sem receber a corda necessária. Mourão nos faz recordar aqui as palavras de Louis Guillaume, que dizia crer “que numa sociedade a poesia não serve para nada, e nisso é que está seu valor”. Sim, a poesia, de quem quer que seja, não serve para nada nem jamais servirá. Mas é somente ela, a boa poesia - este deus-ser ilógico e sublime -, que tem a potência e a sagacidade de nos prestar para tudo.

(Oficina Editores, 2016)

* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Black-Light-81834879

Poemas de Germano Xavier em Francês (Parte LXVII)

*

Por Germano Xavier

"tradução livre"



Quarta-feira, 08/06/2016
Por um café a mais


Encore un café, s’il vous plaît…

nous sommes une manade
et à la fin du discours
célébrerons-nous la tradition
d’être des mules
en prenant juste un suffocant et habituel café ?

serons-nous des copies, des caricatures
de rêves que nous n’osons plus rêver
les yeux grands ouverts ?

suivrons-nous le rituel selon le manuel
de la bestialité ?

remplirons-nous nos mémoires
de faux souvenirs vendus dans le coin
au hasard ?

où creuserons-nous des reliques, lorsque nous refusons de reprendre nos habitudes?



* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Morning-Chill-103370730

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Tínhamos uma tarde entre as beiras

*

Por Germano Xavier


eu fui ontem
e a aventura da linguagem
não se resume à procura do ritmo,
é antes a penetração
e a tensão do instante
contra sua própria opulência.

eu fui ontem
e a palavra que formo
desestrutura a forma, que é
incessante e impossível.

eu sou ontem
e meu poema é polissêmico,
já que mil bocas me ancoram
sem me saber nem suspeitar
de que há algo maior que já existe
(e no que já existe)

e sei que meu verbo
é apenas um processo de sentir
dentre tantos.

eu sou ontem
e afronto a vida
me afastando dos impasses,
aprofundando-me no tempo
quanto mais desconfio
das solenes extremidades,

ao passo em que me torno grotesco
quando me alinho
ao que sou não sendo,
pois ora sou signo ora sou coisa,
sou coisa-signo,
signo-coisa - ultrapassagem,
escassez, amplidão.

quem fui eu em mim?/
o que sou eu de mim?/
o que em mim me continua?//

eu fui ontem
e o desespero do coração
que me impulsa, inglorioso narrador
de meus avessos, é o pleno herói
de minhas crises.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Challenge-5-Zillion-Wish-of-Sand-643801016

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Poemas de Germano Xavier em Francês (Parte LXVI)

*

Por Germano Xavier

"tradução livre"


Sexta-feira, 03/06/2016
Empossado de passados


Intronisé de passés


le sol qui m’a accouché, adulte, est fustigé

tout en vacillant, sordide, j’ai voulu le blesser,
le haïr par ces moments où il ne m’a pas tué.

il a fait des promesses et volé des avenirs
/ j’en ai pleuré/…ai-je avorté des destinées?

comme un étranger dans ma vie,
j’ai douté du passé, du présent et de l’avenir.
j’ai crié, j’ai regardé le ciel

qui m’a avalé.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Monochrome-November-643449847