domingo, 26 de setembro de 2010

A mudez de Deus



Por Germano Xavier

Não era o Príncipe Feliz. O barulho dominical tinha terminado para sempre. A casa ficara livre para canários. As sacolas plásticas dançavam valsa. Ursos de pelúcia esparramados pelo corredor da casa agora andavam pelo vestíbulo quase Arco do Triunfo. O suspeito de tudo teria ido. A viagem era de se ir. Todos vão, e o vão é também suspeito, mas apenas isso. Andorinhas não existem nessas horas. Não há itinerários. Somente retornos. O café gelado bem poderia estar gostoso. Não era feliz em nada, coração de bronze, pedaços dados e jogados aos pombos. A praça tinha sabor de bolinho de chuva. Quando pensou que os tempos não eram os mesmos deu seu sinal de bem-aventurança. Cada qual ama aquilo que ama, e ama ser saber o que é amar. Cada qual morre da morte que é, féretro ou terra batida. O príncipe vivia sem viver, e queria morder repolhos. O rouxinol é simples na cor da idade, flor de Aragonita. A igreja foi embora de lá. Deixou o grito e o aperto no peito. A cama ainda suada, corpos nus, ambos, mudos de Deus...

sábado, 18 de setembro de 2010

Em quatro bocas


Por Germano Xavier

Tantas guerras e conflitos
fluindo de nossas bocas,
enquanto todos passavam
seus cotovelos tranquilos
pelas ruas sem árvores.

Uma conversa entre amigos,
sobre livros de como amanhecer amores
e refazer sentidos.

Eu senti que nasceriam primaveras
se tocássemos nossas almas
com a rosa do mundo.

Eu percebi,
em nossos concretos obscuros,
uma música...
sinal de tudo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Linguística: um texto?


Por Germano Xavier

BORBA, Francisco. A linguística. In: Introdução aos estudos linguísticos. Campinas. São Paulo: Pontes,1991.


Diante do texto de Borba, a primeira informação a ser destacada é a de que o termo "Linguística" faz referência à ciência da linguagem (forma de expressão ou uso da palavra articulada, ou escrita, como método de comunicação entre indivíduos) e, particularmente, da linguagem articulada. Sendo assim, a linguística tem por finalidade básica determinar a natureza da linguagem e a estrutura/funcionamento das línguas.

A linguística trilha dois caminhos diferentes. Um é o de fomentar uma metodologia de trabalho para a montagem e explicação dos fenômenos linguísticos. O outro é o caminho da observação e descrição de línguas, o que serve como uma tentativa para se chegar ao entendimento de todo o "funcionamento" de uma língua, seja ela qual for.

As roupagens diacrônicas e sincrônicas que a linguística perpassa não podem, em hipótese alguma, deixar de ser reveladas. Nesse caso, a primeira faceta observa todo o arcabouço e mecanismo de uma determinada língua levando em consideração a sua maleabilidade e a sua capacidade mutacional no espaço e no tempo. Do outro lado, trabalhando com um respectivo estágio analítico, e "desprezando a questão da evolução temporária", encontra-se a linguística sincrônica.

O objeto da linguística é mais complexo e complicado de se trabalhar do que julga a nossa vã imaginação. Como é um segmento do conhecimento que acaba invadindo diversificadas matérias e, por sua vez, termina por dialogar com outras disciplinas e assuntos, o linguista, em seu papel de elaborador e organizador temático, desempenha um labor de difícil execução e que exige demasiada destreza. É o linguista o responsável pelo ordenamento, pela captação e análise das manifestações e manipulações da e na língua.

Áreas como a psicologia, a sociologia e a antropologia estão cada vez mais influenciando e sendo influenciadas pela linguística, posto que o estudo detalhado e específico dos elementos basais da comunicação entra em constantes choques e conexões com o que há de interferências sociais, culturais, comportamentais e logísticas no que concerne à relação homem-indivíduo-sujeito, o que as tornam disciplinas mais ricas e aptas a se desenvolverem ainda mais, aumentando o espaço da mediação interdisciplinar.