domingo, 4 de novembro de 2007

Um ilha comprido

*
Por Germano Xavier


ao sr. poeta Roberto Piva,
que saiu ontem e não voltará mais para casa



tua morte é um cu
rio só
(artefato) e me dou gargalhadas
porque chorar vai atacar a Igreja das vanguardas.
o gavião da Paulicéia sumiu na noite,
as ruas e praças estão mais pálidas de sentido contrário.
sem graça, a avenida dá somente para onde se destina
e por que não fazer um apocalipse nesta brasa ainda acesa?

toda carne pode estar presa em nossas presas
e a natureza é um pé de querer.
onde te encontro, poeta, onde?

diz direto ao ponto, pois
que tenho uma vertigem nova em folha a lhe oferecer nesta manhã sem verbo.



P.S. Pode parecer, mas esta homenagem não é gratuita. Li Roberto Piva quando ainda morava em Irecê, estudante de 2º Grau no Colégio Cláudio Abílio Aragão. Este senhor que acaba de se despedir deste mundo talvez tenha me ensinado um pouco sobre toda esta paranoia que é a vida.


* Imagem: Deviantart.